• Fernanda

Insatisfação Constante

Actualizado: 27 de ago de 2019

O que está detrás de tanta insatisfação?

Por que existem momentos na vida em que nada nos satisfaz?


A insatisfação está totalmente relacionada com o aceitar e se aceitar, com o autoconhecimento, com o ritmo de vida atual e com o valor que damos ao que já temos na vida.


Bem-vindo(a) a uma reflexão que te fará lembrar alguns momentos da sua vida e talvez, você encontrará as razões pelas quais uma pessoa pode chegar a se queixar de tudo e/ou todos.


Normalmente, quando não nos damos o que queremos, reclamamos (de maneira explícita ou implícita) e em vez de procurarmos a maneira de nos satisfazer, vamos à “caça” dos culpável da nossa insatisfação e geralmente quem “paga o pato” são as pessoas mais próximas. É como se revivêssemos a nossa fase de criança, entrássemos em “curto circuito” de uma pirraça infantil e de repente nos transformássemos em um(a) adolescente com raiva do mundo, jogando a culpa nas demais pessoas e na própria vida.


Quando uma pessoa está em “curto circuito”, em primeiro lugar o melhor é se tranquilizar. É necessário sair primeiro do momento que o chamo de “estrangulamento emocional”. Uma vez que o estado emocional está estável, as primeiras perguntas que poderíamos fazer são:

  • O quê me falta? Depois: Posso conseguí-lo(a)? Sim, como? / Não, como poderia me satisfazer de outra maneira?

O objetivo desse momento é entender qual é a causa da insatisfação e ser responsável por ela.


A insatisfação vem desde diferentes momentos, alguns deles são:

  • Quando não chega o que queremos;

  • Quando chega o que queremos, mas já não o(a) queremos mais;

  • Quando pensávamos que o queríamos era excelente e já não nos satisfaz mais;

  • Quando nem sequer sabemos o que queremos.

O ser humano tende a ser muito complicado :-)


Dentro do estranho que podemos ser, é muito normal sentir e pensar tudo isso.


Todos os “inputs” que temos hoje em dia fazem que perdamos a atenção no que é realmente importante e além disso, não nos permitem refletir nas coisas. Tudo queremos para ontem.


Em toda essa insatisfação constante também é interessante ter em conta que o momento atual que vivemos é de “necessidade imediata”.

  • Tudo em um “click”;

  • A paciência é um bem escasso;

  • A tolerância à espera e à frustração é quase um “bicho em extinção”.

O ritmo que nos impõe a vida atual nos está causando um estresse nocivo.


Necessitamos perceber que parte das frustrações constantes vêm dessa necessidade imediata imposta.


A vida pausada, com os seus tempos e fases estão perdendo o seu valor. A rapidez em muitas coisas é mais apreciada e ainda por cima valorizada como algo “brilhante”.


Como tudo na vida, é necessário encontrar o equilibrio.


Como perceber que você entrou no “circulo vicioso da insatisfação constante”?

Estas são algumas das situações de “circulo vicioso da insatisfação” que pude perceber na minha vida, em conversas com amigos, familiares e clientes:

  • Quando você não vê sentido e nem melhora a sua rotina;

  • Quando o seu diálogo e pensamentos estão concentrados no que está mal na vida e tampouco você tem vontade de melhorar algo;

  • Quando você quer melhorar constantemente tudo. Nada está bem. Nada é suficiente;

  • Nada te agrada o suficiente, mesmo que o faça você mesmo(a);

  • Você se entedia constantemente;

  • Você tem a sensação de que todos os dias são iguais.

Estar satisfeito(a) com o que você faz e o que você é, passa obrigatoriamente por aceitar a situação que está vivendo e se aceitar por completo (os defeitos e as virtudes).


Como comentei no meu texto “aceitar e se aceitar” (clique aqui para lê-lo): “aceitar não é se resignar”

Você pode melhorar tudo o que é melhorável. O problema está quando nada o que você faz te agrada. Esse é um claro sinal de algo mais profundo. A sensação de satisfação é interna e não tem nada que ver com o que está fora. Não tem nada a ver com o seu trabalho, o seu namorado ou marido, a sua namorada ou esposa, a sua familia, o seu dinheiro, etc…


Enquanto uma pessoa não se aceitar por completo e não assumir a responsabilidade de se fazer feliz, sem depender de ninguém e de nada, nunca encontrará a sua plenitude de felicidade e satisfação na vida.


Te convido a fazer um exercício muito interessante que te permitirá ser mais consciente sobre esse tema.

É um exercício de “auto-escuta ativa” que você pode fazê-lo nas suas próximas conversas com amigos e/ou familiares. Consiste em fazer “autoperguntas”, sempre que você se queixar de algo ou alguém em duas situações diferentes:

  • quando a queixa é referente a sua vida;

  • quando a queixa é referente a vida e comportamento de outras pessoas.

1.) Quando você reclame sobre a sua vida e a própria pessoa:

Reflita: Em que você não se está satisfazendo o suficiente?

Por exemplo:

- “Eu não gosto que o meu/minha namorado(a) não me preste atenção. {Autopergunta: Em que não me estou prestando atenção?}

- “Ninguém me respeita” {Autopergunta: Eu me respeito?}

- “Ninguém me ama” {Autopergunta: Eu me amo?}

- “Ninguém me da uma oportunidade, não tenho sorte” {Autoperguntas: Acredito em mim? Quando foi a última vez que me dei uma nova oportunidade? Atuo como uma pessoa de sorte ou como uma vitima?}

- “Novamente acontece a mesma coisa comigo, nunca ganho, sempre perco. {Autopergunta: O que me estou dando para sentir que estou ganhando algo, me sentindo bem comigo?}


2.) Quando você reclame sobre a vida e o comportamento de outras pessoas:

Reflita: De quem realmente você está falando? Não serão as suas frustrações e insatisfações projetadas em outra pessoa?


Sempre que falamos, falamos de nós mesmos.


Como sair desse “círculo vicioso”?

  1. Assuma o controle das suas vontades e faça aquilo que te faça bem.

  2. Faça uma lista de coisas que você gosta e siga-a como se fosse o seu “manual de instrução”.

  3. Sempre tenha essa lista à mão e quando você entre na insatisfação constante, pegue a sua lista e cumpra-a. Pode ser dançar, escutar uma música determinada, falar com alguém, etc… Tudo vale, sempre e quando te faça sentir bem.

Quando você faz aquilo que gosta, isso te agrada e você vibra em uma energia mais alta. Atrai para a sua vida o que conecta com essa energia.


Lembre-se, a necessidade do imediato de tudo na vida nos está criando uma insatisfação enorme.


Pare, respire e faça aquilo que o seu corpo te peça.

Respeita o seu ritmo! Tudo tem o seu tempo e a sua hora.

Se escute mais!

Se observe mais!


Ative os seus sentidos e você verá que, tomando perspectiva de tudo o que te causa insatisfação, na realidade a maioria delas são tão insignificantes que não merece tanta energia dedicada.


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E se você sente que é um bom momento para você investigar um pouco mais sobre esse tema ou outros, entre em contato comigo (clique aqui) para saber mais detalhes de como posso te ajudar.