• Fernanda

A era das habilidades intangíveis

Actualizado: abr 29


Sim, mesmo que muitas vezes nos projetamos no futuro, uma coisa é certa, será diferente do que antes.

Ainda é um mistério como será o novo panorama profissional, pessoal e social. 


Como em todas as crises, nesta não será diferente. Já é o momento de que uma vez por todas aceitemos que a mudança é algo natural e vantajoso. 

Tudo o que é estático, nos limita e nos empobrece como seres humanos.


Por que você acha que o pôr do sol é bonito? Porque ele é finito, há um começo e um fim. Muda e não é estático. Você imagina um pôr do sol infinito? Não daríamos valor a sua beleza. A sua natureza finita é o motivo pelo qual não conseguimos tirar os olhos de um momento tão mágico. Não queremos perder nenhum detalhe. 


Por que você acha que sempre estamos à procura da felicidade? Porque é um momento finito, é algo que sentimos e depois vai embora. Tudo depende de quantos momentos de felicidade você desfruta na vida. Parece mentira, mas na realidade damos um valor imenso ao que não podemos controlar e ter frequentemente. Quando algo se converte em permanente, simplesmente normalizamos a sua existencia e o descartamos. 


Por que você acha que nos queixamos por tudo? Porque a medida em que as coisas vão se cristalizando e dando a sensação de estático, tempo parado, nos entediamos e perdemos o interesse. Não estamos feitos para estar parados. A mente humana é inquieta por natureza. 


Uma prova inegável de que a mudança é algo natural, é a sua história pessoal.

  • Quem você era na infância?

  • E na adolescência?

  • E agora?

O que era importante para você em cada momento? Quais eram as suas referências?

O resultado da pessoa que você é hoje, é a soma das mudanças vividas em toda a sua história pessoal. 


Tenho certeza que você mudou muito sem se dar conta conscientemente desse tema. 


Agora a proposta é Abraçar, Aceitar e Desejar as mudanças para o bem da sua evolução pessoal. Tudo o que você não aceita, renega e deixa de lado, voltará como um bumerangue nas suas mãos. 


Está no nosso DNA o movimento. A mudança. As novidades. A vida.


É compreensível que de acordo com a velocidade, intensidade e quantidade de mudanças percebidas em um curto espaço de tempo, podemos nos assustar e paralisar e como resposta comum do EGO, evitamos as mudanças. Essa evitação normalmente produz uma paralisação motivada pelo medo de perder o controle das coisas ou da própria vida. 

Você não evita uma mudança porque é ruim ou porque você se considera incapaz de fazê-la. O que realmente acontece é que aparece a emoção do medo, pela novidade do momento e lhe faz crer que fazendo essa mudança você perderá o controle da situação. 


Dói mais ter medo em perder o falso controle das coisas, que fazer uma determinada mudança.


Mas aviso aos navegantes, não é possível controlar nada que está fora si. A única decisão assertiva que você pode fazer nessas situações é decidir desde que perspectiva/visão você quer viver essas mudanças. Existem 2 opções: desde a negação ou desde a aceitação. Não existe uma opção intermediária.  


Quando se apresenta uma mudança, o que acontece com você?


Se a sua resposta gira em torno da emoção do medo a perder o controle sobre as coisas, as emoções, o conhecimento, o status, a sua zona de conforto, a imagem que você projeta, o que dirão, etc; tenha em conta que este medo é uma projeção catastrófica de um possível futuro que o seu EGO te apresenta caso você faça essa mudança. 

Este é o trabalho de um EGO descontrolado e empoderado. A emoção em si, somente lhe traz um aviso: mudanças se aproximam e possivelmente podem te impactar. Nada mais. Esta é a função da emoção. 


Desde quando você já acertou no alvo as suas previsões, como todo o luxo de detalhes que o seu EGO te disse (sentimentos, pensamentos, o que fariam, o que você e outros sentiriam)?


Perder o seu tempo em adivinhar o futuro, sobretudo no seu aspecto mais negativo, é profetizar uma frustração ao 99% de certeza. Isso somente fortalece o grande “buraco negro” mental que foi criado pela humanidade nos últimos tempos: a ansiedade patológica. 


Até aqui, isso faz sentido para você? É o que você quer para a sua vida?


Ter claro esse “pequeno” detalhe de como o EGO usa a emoção do medo e o que nos leva a recusar as mudanças da vida, lhe facilitará entrar e desfrutar no novo panorama mundial que nos será apresentado em breve. 


Lembrem-se! Não lhe perguntarão se você quer ou não esse novo momento. Você somente entrará. 


Segundo como você esteja e como de concentrado você esteja consigo, fará que este processo de mudança seja natural e prazeroso. 


Quando você está empoderado de si, você sabe quem você é, o que você pode oferecer ao mundo, quais são os seus dons, qual é o propósito nuclear da sua vida, como você se reconhece, como você cuida do seu “jardim interno”, como de bem você conhece e administra as suas emoções, o que você gosta e te entusiasma, ou seja, você tem um autoconhecimento e um nível de felicidade interno moderado-alto. Para essas pessoas que estão nesse nível pessoal de consciência, esta nova situação se apresentará de 2 maneiras:


1-) Para as pessoas que notam grandes mudanças entre o antes e o depois, ou seja, que a rotina e o ritmo de vida tenham mudado muito e que a zona de conforto está afetada, verão no seu novo panorama em vez de caos sem saída, oportunidades e aprendizados. Serão capazes de flexibilizar as suas crenças até o ponto de se desprender delas e decidir o novo caminho que a vida lhes irá oferecer com total liberdade. Esse caminho se fará de maneira paulatina e natural porque a própria vida lhes guiará.


2-) Para as pessoas que notam poucas mudanças entre o antes e o depois, ou seja, somente detalhes pequenos na sua rotina e vida anterior, procurarão aprofundizar ainda mais na sua felicidade e equilíbrio emocional. Talvez não sentirão a necessidade de grandes mudanças, mas serão motivadas a um entendimento mais profundo de quem são e quais são os seus propósitos de vida. Se aproximarão do seu lado mais sensível, energético ou espiritual, segundo a crença de cada pessoa. 


Mas, se você acha que não se encontra no grupo de pessoas que descrevi acima e que até então, não teve a oportunidade, vontade, motivação ou não era a sua prioridade e momento pessoal para buscar esse autoconhecimento, saiba que já estamos dentro dessa nova era. Cada vez mais o seu equilíbrio pessoal passará por esta demanda interna e você não o poderá conter e se você o faz, isso lhe gerará uma crise pessoal que eu a chamo de “momento crack”. É a sensação de não saber para onde ir, a tal da “crise existencial”, ou mesmo “a crise dos 30,40,50,60...anos”, vai depender da idade que você tenha nesse momento crítico. 


Neste novo momento o que marcará a diferença é o que eu chamei de habilidades intangíveis. 


É quando o desconhecido ou pouco familiar de uma pessoa ganha peso, importância e prioridade nesse mundo VICA (en inglés VUCA): volátil, incerto, complexo e ambiguo. 


Então, o que são as habilidades intangíveis?


São todas aquelas que você descobre em um processo pessoal durante a vida e que somente através de uma introspecção minuciosa e amorosa consigo, você poderá conhecê-las profundamente. 

Não é necessário que você passe por uma vida completa para que conheça as suas habilidades intangíveis. Se você aceita essa idéia que lhe apresento neste artículo, HOJE é um bom momento para que você dedique esse presente a si. 


Essas habilidades fazem parte do seu DOM e o seu lema de vida. As mesmas respondem às seguintes perguntas: 

  • Para que você veio a este mundo? 

  • Qual é o propósito nuclear da sua vida? 

  • Quais são as atividades que fazem brilhar os seus olhos/ lhe entusiasma? 

  • O que você poderia falar sem se cansar com outra pessoa?


Um aspecto comum entre todas as pessoas consideradas publicamente bem sucedidas, é que encontraram a sua razão de ser e colocaram esse DOM e lema de vida a serviço das demais pessoas. 

Eu lhe recomendo um vídeo que está na internet que fala sobre esse tema de forma clara. É uma entrevista feita por Antonio G. de “Inteligencia Viajera” com Emilio Carillo. Está em espanhol, porém acredito que é possível colocar a legenda no seu idioma materno.


Se dê uma oportunidade de investigar tudo isso. 

Agora mais do que nunca será uma ferramenta fundamental para o seu equilíbrio emocional e pessoal. 


Esta crise nos materializou grandes mudanças e ruptura de paradigmas em pouco tempo, como por exemplo: 


1-) O impossível pode acontecer. O grande susto que nos causou essa mudança repentina na vida, mas que o fato em si do vírus e o seu perigo, foi que para a nossa mente era inconcebível o impossível, ir tão rápido de um pólo a outro, tudo o que era normal se transformou em excepcional, o bom agora era ruim e perigoso, o que era pouco valorizado agora era essencial. Enfim, uma grande mudança de paradigma em tão pouco tempo. 


2-) Uma metáfora sobre o momento atual: Todos estamos no mesmo mar porém em diferentes barcos. As ondas vão impactar igualmente a todos, independentemente de onde você esteja. Tudo dependerá de como está o seu barco (como você está internamente). 

SIM, importa e muito o que acontece em outros lugares do planeta. 


3-) É um fato evidente e ninguém poderá negá-lo: A importância vital do “presencialismo” em muitos tipos de trabalho se desmoronou. Claro que existem trabalhos que é necessário a presença física do colaborador, porém aqui me refiro a essa grande parte de empresas que viram os seus negócios fluírem sem a presença física das pessoas em um mesmo local e que deslocam diariamente pessoas, através de transporte público ou particular, provocando saturamento e aglomeração, estresse nocivo a saúde e sem contar com a poluição em todas as áreas que isso provoca nas grandes cidades, onde se concentram essas mesmas empresas. Estas mesmo puderam experimentar de uma maneira brusca e sem preparação que SIM, é possível o trabalho remoto. 

Seria tão difícil imaginar trabalhos onde as pessoas possam verdadeiramente trabalhar por objetivo cumpridos e não por tempo presente em um escritório? Onde as pessoas possam administrar como queiram o seu tempo e esforço para entregar os seus compromissos. Trabalho remoto não é um substituto do “presencialismo” em casa. Se fosse assim, em vez de avançar nesse quesito, criaríamos um novo estilo de trabalho: o “big brother” empresarial. 

Seria loucura imaginar que o colaborador pudesse escolher desde onde ele quer trabalhar? Onde ele rende melhor? Ademais, de maneira pontual as pessoas poderiam se reunir para socializar em equipe e com a demais pessoas da empresa. 


A partir de agora tomar uma decisão de continuidade e melhora dos estilos de trabalho é um tema de atitude empresarial e consciência social corporativa, dado que SIM é possível. Todos ganhamos. Teremos pessoas mais felizes podendo conciliar adequadamente a vida familiar e profissional. Sem obrigações desnecessárias da era antiga e mais facilidades e opções para uma vida laboral melhor. 


4-) A maioria das nossas referências de controle e bem-estar possivelmente foram desmascaradas:

  • Quem acreditava que vivia no “primeiro mundo”, como mínimo duvidou na definição desse “mundo” e do famoso estado de bem-estar;

  • Quem acreditava que tinha um emprego estável, talvez ficou sem ele num piscar de olhos e sem aviso prévio.

  • Quem achava que o seu negócio iria prosperar e crescer, possivelmente teve que mudar a rota e se colocar em modo: “sobrevivência”;

  • Quem suspeitava que estava perdendo o crescimento dos seus filhos e chegava nessas conclusões geralmente finalizando um período de férias, talvez concluiu que era verdade e está pensando em reorganizar as suas prioridades e tempo da sua vida


Enfim, tudo o que talvez estava perdido, ganhou vida ou realmente morreu.

Foram gerados fatos importante para que qualquer pessoa perceba que a falsa referência externa de bem-estar e felicidade, já não existem. Somente podemos nos agarrar em nós mesmos. E isso sim é permanente. As demais coisas externas pertencem ao mundo VICA. Não vale a pena depositar o seu bem-estar e felicidade fora de si, isso gera muito estresse e ansiedade, porque não depende de você.


5-) A solidariedade está em cada pessoa e o prazer é muito maior quando se oferece ao outro. A gratidão é compartilhada e valorizada em uma sociedade tão carente de amor e respeito para com as diferenças.


6-) As energias são poderosas e perceptíveis a qualquer pessoa. Pode nos levar e nos condicionar. Muitas vezes entramos em “batalhas” que não são nossas, ou mesmo quando definimos conscientemente quais são as nossas “batalhas”, damos de frente com o nosso “calcanhar de aquiles”, que é a antecipação mental intensa dos fatos. Isso nos faz sofrer e perder energias antes mesmo do “combate” e quando chega o momento de atuar, estamos sobre estimulados e em vez de ser assertivos somos “sequestrados emocionalmente” por nós mesmos. Nos desempoderamos. 


7-) Somos interdependêntes. As relações sociais são importantes para a nossa vida. Nunca foi tão valorizado um abraço e um beijo de alguém querido. 


8-) Temos uma grande dificuldade de ser ativos na nossa própria vida. Fomos tão bem “adestrados” durante muitos anos que a maioria das vezes esperamos as instruções e esquecemos do nosso bom senso. Quando recuperamos em certa medida a própria gestão do tempo, nos perdemos no vazio. Ganhamos a liberdade de administrar o tempo das nossas vidas e foi complexo saber o que fazer com esse tempo disponível. Um curso, um esporte, um artesanato, cozinhar, meditar, enfim, muitas ofertas no mercado. Constatamos que está fraca a nossa capacidade de nos auto entreter e filtrar o que nos ofertam de acordo com o que gostamos e queremos. 


Esta situação também nos ensinou que estamos perdendo o contato com o simples e complicando a nossa vida porque assim nos disseram que era mais valioso ou mais importante. 

O simples é suficiente. Não se deixe enganar!


Acorde e se conheça!


Quem é você nesse novo momento?


Viva o novo tempo do desconhecimento pessoal!


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